Carta Macro - Julho de 2026
Analyst: Melissa Silva, Murilo Lima, Marina Monteiro

Summary
Este relatório consolida os principais desdobramentos macroeconômicos e geopolíticos de julho de 2026, com foco nas decisões das autoridades monetárias, nos impactos comerciais e no comportamento dos principais mercados globais e domésticos. O mês foi marcado pela oficialização do tarifaço americano sobre produtos brasileiros, por escaladas nas tensões geopolíticas no Oriente Médio e por pausas e manutenção de taxas de juros por grandes bancos centrais como o Fed e o BCE.
1. Resumo Mensal
Em julho de 2026, as tensões geopolíticas e comerciais destacaram-se tanto no Brasil quanto no exterior. No cenário nacional, a entrada em vigor da sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos representou um desafio para o governo federal, enquanto o panorama político seguiu polarizado. No plano internacional, a reescalada do conflito entre Estados Unidos e Irã provocou um forte aumento nos preços do petróleo, e o Banco Central Europeu optou por uma pausa em sua política de juros após a alta do mês anterior.
2. Cenário Doméstico
A taxa Selic permaneceu em 14,25% ao ano, visto que não houve reunião do Copom no período. O IPCA avançou de forma leve, registrando alta de 0,07%, o que desacelerou a inflação acumulada em 12 meses de 4,64% para 4,44%.
- Atividade Econômica: O Novo Caged registrou saldo positivo de 145.161 vagas formais em junho, com destaque para o setor de serviços, embora o resultado tenha ficado abaixo do verificado no mesmo período de 2025. A taxa de desocupação caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, enquanto a produção industrial recuou 1,8% frente a maio.
- Câmbio e Mercado: O Ibovespa encerrou julho aos 177.999 pontos, com valorização mensal de 3,47%. O dólar à vista fechou cotado a R$ 5,0704, registrando queda de 1,79% no mês.

3. Estados Unidos
O Federal Reserve manteve a taxa de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, adotando uma postura cautelosa diante da inflação ainda acima da meta. O CPI acumulado em 12 meses registrou alta de 3,40%, marcando a terceira retração consecutiva do indicador.
- Atividade e Trabalho: A economia manteve-se resiliente com os PMIs em território de expansão, impulsionados pelo setor de serviços. O mercado de trabalho apresentou moderação, com o payroll registrando redução de 23 mil vagas e taxa de desemprego estável em 4,1%.
- Bolsas e Commodities: O índice S&P 500 encerrou o mês próximo a 7.489,72 pontos. O petróleo apresentou forte valorização, com o Brent acumulando alta de 37,60% e o WTI de 22,10%, pressionado pelas tensões no Oriente Médio.
4. Zona do Euro
O Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas inalteradas em 2,25%, 2,40% e 2,65% (depósito, refinanciamento e empréstimo, respectivamente), interrompendo o ciclo de alta. O HICP preliminar de julho foi de 2,9%, com alta na taxa núcleo para 2,5%.
- Atividade Econômica: O PMI composto apresentou surpresa positiva, saltando de 50,0 para 52,0 pontos, o maior nível em 5 meses, indicando recuperação na atividade privada.

- Bolsa e Câmbio: O Euro Stoxx 50 encerrou o mês em 6.358,01 pontos (alta de 0,47%). O euro recuou frente ao dólar para a faixa entre USD 1,14 e USD 1,15, enquanto o Bund alemão atingiu 3,20%, refletindo expectativas de novas altas devido à persistência da inflação energética.

5. China
O Banco Popular da China manteve as taxas de referência estáveis (LPR de um ano em 3,00% e de cinco anos em 3,50%), mantendo o foco em medidas de liquidez e crédito direcionado.
- Atividade Econômica: O PMI industrial oficial caiu para 49,2 pontos, retornando à zona de contração, e o PMI não manufatureiro recuou para 49,0 pontos. Apenas o subsetor de alta tecnologia permaneceu em expansão (53,3 pontos).

- Câmbio e Bolsa: O yuan operou sob estabilidade administrada. O Shanghai Composite encerrou julho aos 3.832,26 pontos, acumulando queda de 6,4% no mês devido a preocupações com a demanda interna e o setor imobiliário.

6. Criptoativos
O mercado de criptomoedas beneficiou-se de um ambiente de maior apetite ao risco e de fluxos institucionais via ETFs.
- O Bitcoin encerrou julho negociado na faixa de US$ 63 mil, acumulando alta de 7,27%.
- O Ethereum destacou-se com desempenho superior, registrando valorização de 16,25% impulsionado pela alta demanda institucional.
- A Solana apresentou recuo de 1% no período, refletindo maior seletividade por parte dos investidores.

Elaboração: Melissa Silva (Cenário Doméstico e China), Murilo Lima (EUA e Cripto), Marina Monteiro (Resumo Mensal e Zona do Euro). Revisão: Pedro Oliveira.
