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Setembro 2026•Renda Fixa•RF-004

Carta Renda Fixa | Setembro de 2026

Analyst: Kauê Brito

Carta Renda Fixa | Setembro de 2026

Summary

A Carta Renda Fixa de setembro de 2026 analisa o primeiro mês de trégua do ano. O IPCA-15 de agosto veio em deflação de 0,40% e devolveu o acumulado em 12 meses para 4,24%, dentro do teto da meta pela primeira vez no ano, enquanto a Selic seguiu em 14,00% sem reunião do Copom no período. A trégua, porém, não é virada. Com o Indicador de Risco Fiscal em 2,8 de 10, o cenário permanece na zona de defesa: a curva de juros fechou ao longo de agosto, reabriu na primeira semana de setembro e chega ao Copom de 16/09 ainda cobrando prêmio elevado para alongar duration. A edição percorre inflação, fiscal, Tesouro Direto e juros futuro para explicar por que os pós-fixados seguem como a classe vencedora do mês.

1. O que é a Carta Renda Fixa

A Carta Renda Fixa é a publicação mensal da área de Renda Fixa da Ceará Finance. Ela reúne, em seis capítulos, a leitura do cenário macroeconômico, a avaliação do risco fiscal, a atualização das taxas do Tesouro Direto e o mapeamento de risco e retorno por classe de ativo. O objetivo é traduzir o que move a curva de juros em decisões de alocação, com linguagem acessível para quem não acompanha o mercado diariamente. Esta é a sexta edição da série e a primeira publicada no site da liga.

2. Inflação: a primeira volta para dentro do teto

O IPCA-15 de agosto registrou deflação de 0,40%, contra alta de 0,06% em julho, e levou o acumulado em 12 meses de 4,52% para 4,24%. É a primeira vez no ano que o índice opera dentro do teto da meta. Metade do movimento veio de Habitação, com a energia elétrica recuando 6,25% por causa do Bônus de Itaipu, um alívio pontual e não recorrente. A leitura do IPCA cheio de agosto sai em 11/09 e tende a confirmar a direção.

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3. Focus e Copom: trégua sem mudança de rumo

O Focus de 08/09 reduziu a mediana do IPCA de 2026 para 5,00%, ainda acima do teto, na segunda queda semanal seguida. O movimento relevante veio do horizonte seguinte: a projeção de 2027 subiu para 4,29%, quarta alta em cinco semanas, com a Selic terminal cravada em 13,75%. A leitura é de desancoragem que migra de ano, e não desaparece. Não houve reunião do Copom no período, e a decisão de 16/09 chega com o mercado precificando corte para 13,75%.

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4. Cenário fiscal: o IRF sobe, mas continua na defesa

O Indicador de Risco Fiscal converte os dados das contas públicas em uma nota de 0 a 10 para antecipar movimentos da curva antes que o mercado os precifique. Em setembro ele subiu para 2,8, a primeira alta em três edições.

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O avanço, no entanto, vem de um bloco só. O superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho foi o melhor resultado para o mês desde 2022 e reduziu o rombo de 12 meses para 0,67% do PIB, mas a comparação é favorecida pela base fraca de julho de 2025. Dívida, regra fiscal e pressão política não se moveram: a DBGG subiu para 82,5% do PIB, maior nível desde 2021. O país segue na zona de defesa.

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5. Tesouro Direto: a leitura por vértice

Com a curva devolvendo prêmio ao longo de agosto, o Prefixado 2029 fechou 40 bps e encerrou a 13,73%, enquanto o IPCA+ 2032 recuou para IPCA + 7,77%. A tabela consolida as taxas no fechamento de 09/09 e mostra duas distorções que merecem atenção: o JS 2037 paga apenas 36 bps a mais que o 2029 pelo prazo extra, e o IPCA+ JS 2060 segue pagando 28 bps a menos que o IPCA+ 2032. A inversão encolheu, mas não desapareceu.

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6. Juros futuro: o que o DI1F30 mostrou

O DI Futuro 2030 funciona como termômetro da curva: quando o gráfico sobe, o mercado exige mais juros para emprestar no longo prazo e os prefixados e IPCA+ se desvalorizam na marcação a mercado. Quando cai, esses mesmos títulos se valorizam. No horizonte de seis meses, o contrato partiu de 13,60% em abril, testou 14,99% em 19/06 e desde então devolve prêmio em ondas.

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Na janela de um mês fica visível a inversão do movimento. A taxa renovou a máxima do período a 14,72% em 14/08 e passou a ceder com o IPCA-15 em deflação, cravando mínima de 13,82% em 08/09, o menor nível desde abril.

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Na última semana o contrato desenhou um V: caiu até 13,82% com o mercado precificando corte no Copom e reagiu na véspera do fechamento, encerrando a 14,02%. O alívio durou pouco, mas a curva chega à reunião abaixo das máximas do ano.

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7. Termômetro Renda Fixa: por que os pós-fixados seguem vencendo

O termômetro compara a atratividade das principais classes no contexto atual. Os pós-fixados combinam carrego de 14,00% ao ano com blindagem total contra a marcação a mercado, uma combinação que só aparece em momentos de estresse fiscal como o atual. Prefixados e IPCA+ longos capturaram o fechamento de agosto, mas a reabertura de setembro mostrou que o alívio ainda não paga o investidor para alongar duration.

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8. Conclusão

Os indicadores de agosto revelam trégua, não virada. A inflação voltou para dentro do teto, o resultado primário melhorou e a curva devolveu prêmio, mas a dívida bruta está no maior nível desde 2021 e a âncora fiscal continua apoiada em exceções. Enquanto os componentes do IRF não sinalizarem melhora estrutural, a mecânica mais eficiente segue sendo a ancoragem em Tesouro Selic e Tesouro Reserva, capturando cerca de 14,00% nominais com liquidez total. A rotação para prefixados e IPCA+ longos fica para quando o prêmio compensar o risco.

Disclaimer

Material de caráter informativo e educacional, produzido pela área de Renda Fixa da Ceará Finance. Não constitui recomendação, oferta, solicitação ou aconselhamento de investimento. As análises refletem dados públicos disponíveis até 09 de setembro de 2026 e estão sujeitas a alteração sem aviso prévio.

Equipe do projeto

Kauê Brito, Levy Freitas e Raquecia Torres.

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